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Mulheres & Bets: a captura dos sonhos

Olá, Liga querida! Como vão? 💛


O post deste mês nasce de uma pesquisa muito importante, liderada por uma das integrantes dessa Liga poderosa: a maravilhosa Mari Ribeiro, cofundadora do Estúdio Clarice.

A pesquisa acaba de sair do forno e aborda, por um recorte inédito, um dos temas mais urgentes do país: Mulheres & Bets — o custo das apostas online para as brasileiras e suas famílias.


Em um país com mais de 80% das famílias endividadas, estamos falando de um fenômeno que levou milhões de brasileiros à inadimplência e que, além de dívidas, gera muito sofrimento. 

  • 67% das mulheres ouvidas acreditam que as apostas estão acabando com as famílias;

  • e 23% dos brasileiros já presenciaram algum episódio de violência familiar gerado por Bets.

 

Apesar do perfil masculino ser a maior parte dos apostadores, a pesquisa revelou que 42% das brasileiras apostam ou já apostaram. Para muitas delas, porém, a aposta não começa como diversão ou como desejo de enriquecer. Começa como uma promessa de solução: fazer a renda caber, pagar a conta de luz, a matrícula da escola, os boletos, o bolo de aniversário do filho. Como resumiu uma das entrevistadas: “Estão brincando com o sonho das pessoas.” E não só com os sonhos...


Captura das redes


Apesar dos gastos bilionários em publicidade e patrocínio esportivo, a principal entrada no jogo entre as mulheres acontece por uma força muito mais cara: a da confiança.

É a amiga que mostrou quanto ganhou, o familiar que mandou o link, a vizinha, alguém da igreja. A própria pesquisa chama esse mecanismo de “confiança como canal de vendas”: É cruel e intencional: as plataformas oferecem bônus e vantagens por indicação e transformam cada usuária em potencial divulgadora.

 

“Chegaram a me oferecer 50% de comissão em cima das perdas das pessoas”


37% das apostadoras já receberam algum benefício para recomendar uma plataforma. Em alguns modelos, quem indicou pode receber inclusive uma porcentagem sobre as perdas das pessoas que entraram com seu código (!!).

Ou seja, um sistema que não só explora, mas corrói as relações de confiança – o que é ainda mais grave entre pessoas de baixa renda. Afinal, para quem tem pouco, capital social não é abstração, é infraestrutura de sobrevivência: a vizinha que olha o filho, a irmã que empresta dinheiro, a comunidade que acolhe quando alguma coisa desmorona.

 

E é justamente através dessas redes que as bets estão entrando.


No meu artigo sobre os 15 anos de Benfeitoria para a Folha de SP, escrevi sobre o perigo de trocarmos comunidade por conveniência com a plataformização da vida. No contexto das bets, isso acontece algo mais triste ainda: a comunidade não desaparece. Ela permanece, mas é transformada em canal de aquisição.


E quem paga a conta?

As mulheres. Dos dois lados.


Quando elas que apostam, carregam a perda e uma culpa atravessada pelo papel de cuidadoras. Quando quem aposta é o marido, o filho ou outra pessoa próxima, muitas vezes são elas que reorganizam as contas, assumem dívidas, protegem os filhos, tentam conter o dano e reconstruir os vínculos. 

 

A pesquisa mostra, inclusive, que ter filhos diminui a atribuição de culpa ao homem que aposta e perde (de 67% para 63%). Ser pai ajuda a explicar a aposta. Já para a mãe, o julgamento endurece (de 51% para 53%).


Captura de poder


Independente de quem apostou, as bets ameaçam o único lugar onde a sociedade reconhece e autoriza a mulher a ter poder: em casa. Ou seja, vendem às mulheres o poder que elas nunca tiveram e corroem o único que lhes era reconhecido.Em outra pesquisa do Estúdio Clarice sobre o Imaginário de Poder das Mulheres Brasileiras, 66% das mulheres dizem se sentir poderosas dentro da família, contra apenas 23% no trabalho. E é justamente esse lugar, associado a cuidar, prover e fazer a vida funcionar, que as bets entram.


Luz no Fim do Túnel


A pesquisa não termina no diagnóstico. Ela aponta caminhos concretos, sempre com as mulheres impactadas no centro das soluções. Mas todos nós temos um papel nessa luta, pois há uma oportunidade rara em um país polarizado, às vésperas das eleições: consenso. Sim! Segundo a pesquisa da Atlas Intel, 86% da população consideram as bets nocivas, 70% apoiam sua proibição total e 76% defendem limites à publicidade. 


Para transformar indignação em agenda pública, saiba (e fale!) mais sobre o assunto; veja o que seus candidatos e candidatas propões sobre – e cobre soluções. 

As bets descobriram a força das nossas redes. Hora de lembrarmos que essa força continua sendo nossa! Vamos juntos?


👉 Leia a pesquisa Mulheres & Bets: [LINK PARA DOWNLOAD]

👉 Conheça e participe do Block no Tigrinho: https://blocknotigrinho.com.br/




Parabéns e obrigada Mari e todas envolvidas por colocarem luz (e mulheres!) onde estava faltando. Sigamos apostando no coletivo.


Com amor, 

Tati Leite e Equipe Instituto Benfeitoria

 
 
 

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