Nossa voz no Mundo
- Tati Leite

- 27 de mar.
- 3 min de leitura
Oi, Liga querida! ✨
Março vai se despedindo… mas algumas conversas não deveriam acabar junto com o mês. Principalmente quando o mundo insiste em nos lembrar, de formas cada vez mais duras, que a violência contra mulheres não é exceção.
É cultura. É linguagem. É narrativa. E isso muda tudo.
Quem conta a história? 📖
O livro Canibalismo Amoroso, de Affonso Romano de Sant'Anna, narra como a cultura brasileira representou o feminino ao longo do tempo.
Primeiro, a mulher aparece como flor: bonita, frágil, para ser colhida CEDO e admirada, como efeite. Depois vira fruto: algo para ser provado, colhido… e comido. E então surge a mulher caça: perseguida, dominada, abatida.
Em todas essas narrativas, o homem é sujeito e a mulher vira objeto.
É essa camada cultural que o vídeo maravilhoso da cantora Sofia Oliveira expõe, mostrando como algo aparentemente pequeno, as palavras, molda a forma como enxergamos as mulheres.
Discutir linguagem não é preciosismo. Linguagem não serve apenas para descrever o mundo. Ajuda a organizar o pensamento, estruturar crenças e moldar valores - que são a base do nosso comportamento.
Por isso, quando falamos sobre violência contra mulheres, não estamos falando apenas de segurança pública, nem de violência física. Estamos falando, também, de cultura, linguagem, poder e narrativa. O vídeo fala, portanto, que palavras importam e que precisamos ter mais mulheres narrando a própria história.

Sua voz no mundo ✏️
E é nesse espírito que nasce um convite muito concreto:
O Instituto Benfeitoria está com inscrições abertas para uma capacitação gratuita para mulheres escritoras independentes. Um espaço para transformar vivência em história. E história em impacto.
Se esse chamado bateu aí, vem saber mais: institutobenfeitoria.org/suavoznomundo
Indo além 🌱
Não paro de pensar que, mais do que mais mulheres narrando suas histórias, precisamos de mais mulheres liderando a história.
Com mais mulheres na liderança, certamente não estaríamos vivendo um mundo com tantas guerras e outras violências físicas e simbólicas.
Na cartilha de conscientização que fizemos no projeto LUGAR DE MARINA, costuramos diversas pesquisas, que mostram que a presença feminina na política resulta em:
Políticas mais justas: mais investimentos em saúde, educação e combate à pobreza. Fonte: Onu Mulheres
Menos guerras e abusos por estilos de liderança mais colaborativos, países liderados por mulheres têm menor probabilidade de se envolver em guerras ou cometer violações de direitos humanos. Fonte: King’s College London
Instituições fortalecidas: governos mais diversos geram mais eficiência, legitimidade e confiança pública. Fonte: McKinsey
Menos corrupção: maior proporção de mulheres eleitas está associada a níveis mais baixos de corrupção e mais transparência. Fonte: Transparency International
Precisamos entender:
Um mundo com mais mulheres no poder não é uma ameaça para homens. É uma chance para todos nós.
Para mergulhar 🌊
Essa conversa faz sentido para você?
Então aqui vão 3 links para aprofundar no fim de semana:
O documentário “Louis Theroux: Por Dentro da Machosfera”, no Netflix.
Post que fiz sobre o depoimento da Juíza Vanessa Cavalieri (Vara da Infância do Rio): um verdadeiro soco no estômago com reflexões urgentes para todos nós.
Uma música do segundo cowboy IA a alcançar o topo das paradas da Billboard, que costuro com outros dados relacionados ao tema.
Sei que não são conteúdos fáceis de digerir, mas penso serem fundamentais para entendermos o momento de mundo que vivemos. Espero que rendam boas reflexões e ações por aí. Reverberando por aqui até agora.... Me conta como chega?
Com amor e esperança, Tati




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